Foto de LYNN BO BO, EPA.

Num comunicado publicado no Facebook, e citado pelo jornal Público, este coletivo exige a libertação imediata e incondicional de Wa Lone, de 31 anos, e Kyaw Soe Oo, de 27.

A par de vestirem t-shirts pretas “para exprimir a idade das trevas da liberdade de expressão da comunicação social” em Myanmar, os membros do comité planeiam outros protestos e orações oficiais.

“Os jornalistas de todo o país são instados a participar na Campanha Negra”, escrevem.

“Um jornalista tem de ter o direito de se informar e de escrever notícias de uma forma ética”, vincou o jornalista A Hla Lay Thu Zar, um dos 21 membros que compõem o comité-executivo do grupo.

Os dois jornalistas, que noticiaram a crise dos 650 mil rohingyas que fugiram dos ataques do Exército no estado Ocidental de Rakhine, foram detidos na terça-feira à tarde após terem sido convidados para um jantar com responsáveis da polícia nos arredores de Yangon.

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Myo Nyunt, um dos responsáveis do Ministério da Informação, desmentiu, em declarações à Reuters, que o caso tenha a ver com a liberdade de expressão da comunicação social, sublinhando que o mesmo “está relacionado com a lei sobre a informação secreta”.

“Os jornalistas devem ser capazes de diferenciar o que é informação secreta do que não é… Nós já temos uma comunicação social livre. Há liberdade para escrever e falar… Há liberdade na comunicação social se as leis forem seguidas”, salientou.

O Ministro da Informação acusou os jornalistas de terem “adquirido informação de forma ilegal com a intenção de partilharem essa informação com a comunicação social estrangeira”.

De acordo com a lei de proteção de assuntos secretos do país, os dois repórteres da Reuters podem enfrentar uma pena máxima de prisão de 14 anos.

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, Rex Tillerson, secretário de Estado dos Estados Unidos, e responsáveis dos governos do Canadá, do Reino Unido, da Suécia e do Bangladesh já pediram a libertação dos dois jornalistas.

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