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Os mineradores do FBI


A RESURREICIÓN DOS PROGRAMAS

Os "mineradores" do FBI:
A ressurreição dos programas "Total Information Awareness"
por Tom Burghardt [*]

Tal como um vampiro que se levanta da sua tumba a cada noite para alimentar-se com os direitos dos americanos, o Federal Bureau of Investigations está a avançar com programas que drenam o sangue vital das nossas liberdades constitucionais.

Desde a utilização generalizada de informantes e provocadores para reprimir a discordância política até o hacking Wi-Fi até a espionagem viral (viral spyware) de computadores para rastrear todos os movimentos, o FBI transformou uma maciça colecta de dados (data-mining) de informação pessoal numa indústria em crescimento. Neste processo, eles estão a construir o estado vigiado há muito sonhado pelos securocratas americanos.

Um assustador novo relatório do jornalista de investigação Ryan Singel apresenta espantosos pormenores de como o National Security Branch Analysis Center (NSAC) do FBI está silenciosamente a transmutar-se no sistema do Conhecimento da informação total (Total Information Awareness, TIA) do criminoso condenado do caso Irão-Contra, o almirante John M. Poindexter. De acordo com documentos obtidos pela revista Wired:

O sistema em crescimento rápido de data-mining do FBI, apregoado como uma ferramenta para caçar terroristas, está a ser utilizado em investigações de hackers e criminalidade interna. Actualmente contém dezenas de milhares de registos de bases de dados corporativas privadas, incluindo companhias de aluguer de carros, grandes cadeias de hotel e pelo menos uma loja nacional de departamentos. (Ryan Singel, "FBI's Data-Mining System Sifts Airline, Hotel, Car-Rental Records," Wired, September 23, 2009)
Dentre as mais recentes revelações quanto ao alarmante estado secreto fora de controle, a Wired revelou que pormenores pessoais sobre clientes foram fornecidos ao FBI pela cadeia hoteleira Wyndham Worldwide, "a qual incui Ramada Inn, Days Inn, Super 8, Howard Johnson e Hawthorn Suites". Registos adicionais foram obtidos da companhia de aluguer de carros Avis bem como das lojas de departamentos Sears.

Singel informa que o Bureau está a planear uma expansão maciça do NSAC, a qual ampliaria o âmbito e a missão, da Foreign Terrorist Tracking Task Force (FTTTF) e do Investigative Data Warehouse (IDW), sistema de análise maciça de ficheiros (file-crunching) que elimina privacidade.

"Dentre os ítens da sua lista de desejos", escreve Singel, "está a base de dados da Airlines Reporting Corporation (ARC) – uma companhia que efectua um sistema de backend [1] para agência de viagem e companhias de aviação". Se metesse o nariz para obter os dados do ARC, o FBI teria acesso ilimitado a "milhares de milhões de itinerários americanos, bem como à informação que dão a agências de viagem tais como data de nascimento, números de cartão de crédito, nomes de amigos e família, endereços email, preferências alimentares e informação de saúde".

A publicação informa que o sistema "é tanto um motor de meta-pesquisa – examinando muitas fontes de dados ao mesmo tempo – como uma ferramenta que efectua análises de padrão e de ligação". Documentos internos do FBI revelam que apesar da crescente critica à alegada "ciência" do data-mining, incluindo um contundente relatório de 2008 feito pelo prestigioso National Research Council, para todas as finalidades e propósitos o Bureau transformara o NSAC numa versão reservada do Information Awareness Office de Poindexter. Um documento interno do FBI apresenta uma antevisão da direcção que o NSAC adoptará.

Segundo o relatório de Maio de 2004 do Gabinete de Contabilidade Geral (General Accounting Office, GAO) sobre esforços para a colecta de dados, o data mining era definido como "a aplicação da tecnologia de base de dados para descobrir padrões ocultos e relacionamentos subtis em dados e para inferir regras que permitam a predição de resultados futuros" (GAO-05-866, Data Mining p. 4). Há um certo número de questões de segurança e privacidade que o governo e a indústria privada devem tratar quando contemplarem a utilização de tecnologia e dados por estes meios. Enquanto as actividades e esforços actuais dos programas IDW e do FTTTF não proporcionam aos utilizadores do NSB [National Security Branch] o nível completo de serviços de colecta de dados tal como definido acima, é intenção do NSAC buscar e refinar estas capacidades onde permitido pelo estatuto e política. A implementação e utilização responsável destes serviços avançará a capacidade do FBI para tratar de ameaças à segurança nacional de um modo atempado, descobrir padrões e tendências anteriormente desconhecidos e dar poder aos agentes e analistas para melhor "caçar entre casos" a fim de descobrir aquelas pessoas, lugares ou coisas de interesse para investigação e inteligência. (Federal Bureau of Investigation, "Fiscal Year (FY) 2008, Internal Planning & Budget Review, Program Narrative for Enhancements/Increases," p. 5, emphasis added)
Não surpreendentemente, na sua procura de financiamento acrescido os responsáveis do FBI deixaram de mencionar que o relatório GAO de 2004 levantava questões significativas e perturbantes encobertas pelos securocratas. Ou seja, os investigadores do GAO declararam:

As preocupações quanto à privacidade acerca de dados pessoais colectados ou analisados também incluem preocupações acerca da qualidade e da precisão dos dados colectados; a utilização dos dados por outros diferentes da finalidade original para a qual os dados foram colectados sem o consentimento individual; a produção dos dados contra acesso não autorizado, modificação ou revelação; e o direito de indivíduos saberem acerca da colecção de informação pessoal, como ter acesso àquela informação e como requerer uma correcção de informação não exacta. (General Accounting Office, Data Mining: Federal Efforts Cover a Wide Range of Uses, GAO-04-548, May 2004)
Apesar destas preocupações, um documento do orçamento do FBI divulgado pela Wired declara sem rodeios:

O NSAC proporcionará "análises de link" com base em assuntos através da utilização da colecção de conjuntos de dados do FBI, combinada com registos públicos sobre determinados assuntos. A análise de link utiliza estes conjuntos de dados para descobrir ligações entre assuntos, suspeitos e endereços ou outras peças de informação relevante, e outras pessoas, lugares e coisas. Esta técnica está actualmente a ser utilizada numa base limitada pelo FBI; o NSAC proporcionará processos melhorados e maior acesso a esta técnica a todos os componentes do NSB. O NSAC também buscará "análises de padrão" como parte do seu serviço ao NSB. Perguntas "análise de padrão" adoptam um modelo preditivo ou padrão de comportamento e investigação para aquele padrão em conjuntos de dados. Os esforços do FBI para definir modelos e padrões preditivos de comportamento deveriam melhorar os esforços para identificar "células dormentes". A informação produzida através da exploração de dados será processada por analistas, os quais são peritos na utilização desta informação e usada para produzir produtos que cumpram com exigências de adequado manuseamento da informação. (Federal Bureau of Investigation, "National Security Branch Analytical Capabilities," November 12, 2008)
Quanto anos depois de o relatório GAO mencionar o inerente potencial de abuso de tais técnicas, o exaustivo estudo do National Research Council criticava a alegada capacidade dos data-miners para descobrir "padrões" e "tendências" entre conjuntos de dados díspares "precisamente porque tão pouco se sabe acerca de que padrões indicam actividade terrorista; em consequência, eles provavelmente gerarão enormes números de pistas falsas".

Pistas falsas que podem muito bem enterrar uma pessoa inocente numa lista de observação de terroristas ou como um sujeito de investigação de grande amplitude e sem garantias. Mas como com todas as coisas relacionadas ao "contra-terrorismo", a culpa ou inocência do cidadão médio é um assunto insignificante ao passo que movimentos para "dar poderes a agentes" para "descobrirem aquelas pessoas, lugares ou coisas de interesse para investigação e inteligência" é o objectivo supremo. A "justiça" sob um tal sistema torna-se "ferramenta" antecipativa sujeita aos caprichos dos nossos mestres políticos.

A utilização de dólares federais um empreendimento tão dúbio e questionável já tem consequências para activistas políticos no mundo real. Basta perguntar aos activistas do RNC Welcoming Committee actualmente sob processo no Minnesota pelo seu papel na organização de protestos legais contra a Convenção Nacional Republicana de extrema direita no ano passado em St. Paul.

Como revelou o Antifascist Calling no princípio deste ano, uma organização de segurança privada, a agora defunda Highway Watch que trabalhava em estreito contacto com o FBI, utilizava a "teoria da rede social" e a "análise de link", e mencionava a organização política legal de grupos, incluindo "a filiação através da Internet" e as "actuações públicas em vários locais por todo os EUA", como um factor significante que tornava o grupo um alvo "legítimo" para vigilância intensa e desestabilização estilo COINTELPRO .

Singel também revelou que o NSAC partilhou dados "com o controverso gabinete Counter-Intelligence Field Activity (CIFA) do Pentágono, uma unidade secreta de espionagem interna que coleccionava dados sobre grupos pacifistas, incluindo os Quakers, até que foi encerrada em 2008. Mas o FBI disse aos legisladores que seria cuidadoso nas suas interacções com aquele grupo".

Contudo, como revelaram a seguir jornalistas e investigadores do Congresso, o núcleo negro da CIFA – a base de dados mamute do gabinete – foi descarregado em outras agências secretas de segurança do estado, incluindo o FBI.

CIFA: Encerrada ou entregue a terceiros?

Quando a CIFA encalhou após uma série de revelações dos media principiada em 2004, alguns críticos acreditaram que era o fim desta. "Desde o princípio da sua existência", revelou o jornalista de investigação Tim Shorrock em Spies for Hire  , "a CIFA teve autoridade ampla para efectuar contra-inteligência interna".

Na verdade, um responsável da CIFA "era o vice-director da multi-agência Foreign Terrorist Tracking Task Force do FBI", escreveu Shorrock, "e outros responsáveis da CIFA foram designados para mais de uma centena de Joint Terrorism Task Forces onde eles actuavam com outro pessoal do Pentágono, bem como o FBI, polícia estadual e loca e o Departamento de Segurança Interna (Department of Homeland Security, DHS)".

Várias reportagens de investigação do Antifascist Calling documentaram as estreitas interconexões entre agências espiãs do Pentágono, o FBI, o DHS, empreiteiros privados, polícias locais e estaduais no que veio a ser conhecido como centros de fusão, os quais confiavam pesadamente em operações extensas de data-mininig.

O seu papel como câmaras de compensação (clearinghouses) para inteligência interna expandir-se-á ainda mais sob a suposta "mudança" de administração do presidente Obama.

A Federal Computer Week revelou em 30 de Setembro que o DHS "está a estabelecer um novo gabinete para coordenar os seus esforços de partilha de inteligência em centros de fusão de inteligência estaduais e locais".

Segundo a publicação, um "novo Joint Fusion Center Program Managemente Office será parte do Gabinete de Inteligência e Análise do DHS, disse a [secretária do DHS Janet] Napolitano ao Comité de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado. Napolitano disse que ela apoiava fortemente os centros".

Embora pouco relatado pelos media corporativos, a espionagem interna tornou-se grande negócio com alguns clientes muito poderosos.

Tome-se a CIFA, por exemplo. Ostensivamente uma agência do Departamento da Defesa, o gabinete secreto que outrora tinha um orçamento de muitos milhares de milhões de dólares à sua disposição, era uma verdadeira vaca leiteira para empresas de segurança vigaristas. Muito tem sido moldado a partir dos corruptos contratos forjados pelo execrado empreiteiro do Pentágono Mitchell Wade e da sua MZM Corporation, apanhada no escândalo "Duke" Cunningham que em 2006 enterrou o congressista republicano de San Diego numa prisão federal durante oito anos. Contudo, permaneceram intactos, apesar do clamor sobre a espionagem interna do Pentágono, firmas importantes de defesa e segurança que cederam os seus consideráveis recursos – a um alto preço – ao gabinete.

Dentre as corporações analistas e operacionais da CIFA que ficaram livres estavam pesos pesados como a Lockheed Martin, a Investigations Service subsidiária do Carlyle Group, a Analex Inc., um empreiteiro de inteligência de propriedade de QinetiQ britânica, a ManTech International, a Harris Corporation, a SRA International, a General Dynamics, a CACI International e a Science Applications International Corporation (SAIC). No cômputo geral, estas corporações arrecadaram dezenas de milhares de milhões de dólares por ano com a generosidade federal.

Como revelou Shorrock, em 2006 a CIFA "tinha quatro centenas de empregados a tempo inteiro e 800 a 900 empreiteiros a trabalharem para ela". Muitos eram da inteligência militar e analistas de segurança que saltaram do navio para aterrar em lucrativos contratos de seis algarismos no florescente mercado de segurança interna, como denunciou em Julho o sítio web Wikileaks ao publicar um maciço ficheiro de 1525 páginas sobre apenas um centro de fusão.

A informação obtida ilegalmente pelo CIFA acerca de cidadãos americanos acabou por residir no sistema Threat And Local Observation Notice (TALON) e numa base de dados relacionada conhecida como CORNERSTONE.

Em 2007, o National Security Archive publicou documentos do Pentágono delineando extensas actividades de vigilância do U.S. Northern Command (USNORTHCOM) que tinham como alvo protestos políticos legais organizados por activistas anti-guerra. Em Abril de 2007, o subsecretário da Defesa para Inteligência, o ten-general James Clapper, "reviu os resultados do programa TALON" e concluiu que "não acreditava que merecesse continuar o programa tal como actualmente constituído".

Apesar das revelações de que a CIFA e o USNORTHCOM haviam conduzido actividades proibidas em violação do Posse Comitatus Act, o qual coíbe os militares de exercerem aplicação interna da lei, nem um único operacional ou administrador do programa foi forçado a dar explicações. De acordo com The National Security Archive:

Em Junho de 2007, o Inspector Geral do Departamento da Defesa divulgou os resultados da sua revisão do programa de informação TALON. As suas descobertas incluíam a observação de que a CIFA e o Northern Command "colectaram legalmente e mantiveram informação pessoal sobre indivíduos ou organizações dos EUA envolvidos em protestos internos e manifestações contra o Departamento da Defesa" – informação colectada para aplicação da lei e finalidades de protecção da força tal como permitido pela directiva (5200.27) do Departamento da Defesa sobre a "Aquisição de informação referente a pessoas e organizações não associados ao Departamento da Defesa". Contudo, a CIFA não cumpriu a política de retenção por 90 dias especificada por aquela directiva e a base de dados do CORNERSTONE não teve a capacidade de identificar os relatórios TALON com pessoal de informação estado-unidense, de identificar relatórios que requeriam uma retenção para revisão de 90 dias, ou permitir a analistas editarem ou eliminarem os relatórios TALON.

Em Agosto o Departamento da Defesa anunciou que encerraria a base de dados CORNERSTON a 17 de Setembro, com informação colectada subsequentemente sobre terrorismo potencial ou ameaças à segurança a instalações do Departamento da Defesa ou seu pessoal sendo enviadas a uma base de dados do FBI conhecida como GUARDIAN. Um porta-voz do departamento disse que a base de dados estava a ser terminada porque "o valor analítico havia declinado", não devido à crítica pública, e que o Pentágono esperava estabelecer um novo sistema – não necessariamente uma base de dados – para "agilizar" relatos de ameaças, de acordo com uma declaração divulgada pelo gabinete de assuntos públicos do Departamento. (Jeffrey Richelson, "The Pentagon's Counterspies: The Counterintelligence Field Activity," The National Security Archive, September 17, 2007)
No ano passado o Antifascist Calling informou que quando a CIFA foi encerrada, a base de dados TALON da organização foi descarregada no Defense Counterintelligence and Human Intelligence Center da Defense Intelligence Agency e na base de dados GUARDIAN do FBI que reside na Investigative Data Warehouse (IDW) do Bureau.

O IDW é um repositório maciço para o data-mining. Como informei em Maio, citando as revelações da Electronic Frontier Foundation, o IDW possui alguma coisa da ordem dos 1,5 mil milhões de ficheiros investigáveis. Para comparação, toda a Biblioteca do Congresso contém 138 milhões de documentos únicos.

A EFF considerou a IDW como "o maior repositório único do FBI de informação operacional e de inteligência".

Em 2005, o chefe de secção do FBI Michael Morehart disse que "o IDW é um sistema fechado de repositório centralizado, em teia, para dados de inteligência e de investigação". Agentes não identificados descreveram-no como um "serviço completo" para agentes do FBI e um "super-Google". Segundo o Bureau, "o sistema IDW proporciona armazenagem de dados, administração de base de dados, pesquisa, apresentação de informação e serviços de segurança".

Como revela a investigação da Wired, a NSAC pretende expandir estas capacidades de data-mining. Actualmente, a NSAC emprega "103 empregados a tempo inteiro e empreiteiros e o FBI procurava aprovação de orçamento para mais outros 71 empregados, além de mais US$8 milhões para empreiteiros externos ajudarem a analisar a sua crescente acumulação de dados privado e públicos". A longo prazo, de acordo com um documento de planeamento, o FBI "quer expandir o centro para 439 pessoas".

Se bem que o programa Total Information Awareness de John Poindexter possa ter desaparecido juntamente com a administração Bush, o seu coração subsiste no National Security Branch Analysis Center.

TIA, IDW, NSAC: Que fartura de acrónimos!

Quando o Defense Advanced Research Project Agency ( DARPA ) do Pentágono ergueu o Information Awareness Office in 2002, a missão declarada do gabinete era colectar tanta informação quanto possível sobre cidadãos americanos e armazená-la numa meta base de dados centralizada para exame atento das agências secretas do Estado.

A informação incluída pelo IAO nos conjuntos de dados maciços incluía actividade Internet, histórias de compras com cartões de crédito, compras de bilhetes aéreos e itinerários de viagens, registos de aluguer de carros, histórias clínicas, transcrições educacionais, licenças de condutor, números de segurança social, contas de empresas de serviços públicos, devoluções de impostos, na verdade qualquer registo imaginável.

Como relatou a Wired, estes são os conjuntos de dados que a NSAC planeia explorar.

Quando o Congresso matou o programa DARPA em 2004, a maior parte dos críticos acreditou que era o fim do salto do Pentágono à inteligência interna. Contudo, como aprendemos, a porção de data-mining do programa foi entregue a um conjunto de agências do estado, incluindo a National Security Agency, a Defense Intelligence Agency e o FBI.

Não é preciso dizer que o envolvimento do sector privado – e os contratos lucrativos – para projectos TIA incluíam os suspeitos do costume como a Booz Allen Hamilton, Lockheed Martin, Raytheon, The Analysis Group e SAIC, bem como um certo número de firmas não óbvias tais como 21st Century Technologies, Inc., Evolving Logic, Global InfoTech, Inc. e ainda uma que soa com um nome orwelliano: Fund For Peace.

Estas firmas, e muitas mais, são empreiteiras actuais da NSAC. Para todas as finalidades e propósitos o TIA reside agora nas profundidades dentro da Investigative Data Warehouse do Bureau e da Foreign Terrorist Tracking Task Force do NSAC.

Enquanto o FBI afirma que, ao contrario do TIA, a NSAC não é "ilimitada" e que uma "missão é habitualmente principiada com uma lista de nomes ou identificadores pessoais que surgiram durante uma investigação de avaliação de ameaça, preliminar ou completa", a Wired informa que "as intenções anteriores ao crime do FBI são muito mais vastas do que o bureau reconheceu".

Isto inevitavelmente mudará – e não para o melhor – quando a NSAC expandir a sua obtenção de informações e assegurar uma montanha sempre crescente de dados a uma taxa exponencial. Neste esforço, será ajudada pelo Senado dos EUA.

Com três disposições do draconiano Patriot Act destinadas ao fim de anos, o Comité Judiciário do Senado, presidido pelo senador Patrick Leahy (D-VI) e a senadora Dianne Feinstein (D-CA), membro do comité e presidenta do poderoso Comité de Inteligência do Senado, transferiria as protecções de privacidade para a legislação proposta que estenderia as disposições.

Submetendo-se à pressão do FBI, o qual afirma que proteger os direitos de privacidade dos americanos de fantasmas fora de controle prejudicaria as investigações "em curso" do terrorismo, Leahy eliminou as salvaguardas que havia defendido apenas uma semana antes!

Afirmando que a sua própria proposta pode perturbar investigações ilimitadas do "terror", Leahy declarou na audição: "Estou a tentar introduzir equilíbrios em ambos os lados". A emenda original teria restringido as expedições "de pesca" do Bureau e teria exigido uma conexão real das partes investigadas ao terrorismo ou à espionagem estrangeira.

Leahy estava a referir-se à Secção 215 do Patriot Act que permite ao Foreign Intelligence Surveillance Court (FISC) secreto autorizar permissões vastas para quase qualquer tipo de registo, incluindo aqueles mantidos por bancos, bibliotecas, provedores de serviço da Internet, companhias de cartões de crédito e mesmo médicos, de "pessoas de interesse".

Uma emenda apresentada pelo senador Richard Durbin (D-IL) de recusa à emenda Leahy-Feinstein foi derrotada no comité por 4 para 15 votos. Como senadora do FBI, Feinstein disse que o Bureau não apoiava a emenda de Durbin. "Acabaria com várias investigações classificadas e críticas", disse ela. Ou talvez a emenda de Durbin teria rebaixado o impulso numa multidão de programas ilegais por todas as 16 agências da "Comunidade de Inteligência" dos EUA.

Como informou em Julho o Antifascist Calling, um relatório desclassificado de 38 páginas dos inspectores gerais da CIA, NSA, Departamento da Justiça, Departamento da Defesa e do Office of National Intelligence chamado em conjunto chamava ao conhecido "Terrorist Surveillance Program" e ao top secret inter-agências "Outras actividades de inteligência" de "Programa de Vigilância do Presidente" (PSP).

O relatório do IG não revelou o que estes programas realmente faziam e provavelmente ainda fazem sob a administração Obama. Coberto atrás de impenetráveis camadas de segredo e engano, estes programas não divulgado jazem no núcleo negro da guerra do Estado contra o povo americano.

O Gabinete do Inspector Geral (OIG) do Departamento da Justiça descreveu a participação do FBI no PSP como o de uma passiva "recepção de inteligência colectada sob o programa" e os esforços do Bureau "para melhorar a cooperação com a NSA para potenciar a utilidade da informação derivada do PSP aos agentes do FBI".

O OIG avança para declarar que "novos pormenores acerca destes tópicos são classificados e portanto não podem ser discutidos aqui". Como revelou o New York Times no princípio deste ano, em Abril e Junho , os programas da NSA STELLAR WIND e PINWALE de intercepção de textos de Internet e email são gigantescas meta bases de dados de data-mining que peneiram emails, faxes e mensagens de texto de milhões de pessoas nos Estados Unidos.

Longe de ser mera espectadora passiva, a Investigative Data Warehouse do FBI continua a ser um receptador importante dos programas STELLAR WIND e PINWALE da NSA. Como informou Marc Ambinder em The Atlantic, o PINWALE é "um termo proprietário não classificado utilizado para mencionar o software de data-mining avançado que o governo utiliza. Empreiteiros que fazem trabalho de mineração SIGINT [2] geralmente têm de estar familiarizados com o Pinwale como pré-requisito para certas tarefas".

Como revelou o relatório da Electronic Frontier Foundation sobre o IDW, o FBI trabalhava em estreito contacto com o SAIC, Convera e Chiliad para desenvolver o projecto. Na verdade, descobriu a EFF, "O FBI estabeleceu um Grupo de política de partilha de informação (Sharing Policy Group, ISPG), presidido pelos directores assistentes executivos da administração e da inteligência, para rever pedidos de ingestão de conjuntos de dados adicionais para dentro do IDW, em resposta às preocupações de privacidade do Congresso que pudessem impedir o FBI de se empenhar em "data mining". Em Fevereiro de 2005, a Divisão de Contra-terrorismo pediu mais oito fontes de dados ". Os nomes das fontes de dados foram saneados (redacted) em três dos oito conjuntos de dados revistos pela EFF ao passo que três vieram do Departamento de Segurança Interna.

Tudo isto exige que se pergunta: o que estará o FBI a esconder por trás da reorganização do FTTTF e do IDW dentro do National Security Branch Analysis Center? Que papel desempenha a National Security Agency e empreiteiros privados em por de pé a NSAC? E porque, como revelou a EFF, o Bureau teme incluir o Privacy Impact Assessments (PIAs) que pode aumentar "níveis de consciência e expectativa do Congresso" no contexto dos "sistemas de segurança nacional" do Bureau?

Na verdade, como declarou a American Civil Liberties Union, "mais uma vez, o FBI foi apanhado a utilizar ferramentas invasivas de 'contra-terrorismo' para coleccionar informação pessoal acerca de americanos inocentes" e "parece que o FBI continuou o seu hábito de reunir quantidades maciça de informação pessoal com pouca ou nenhuma supervisão".

Não que os vigaristas (grifters) do Congresso e os seus cúmplices corporativos, que têm muito a ganhar com o milhares de milhares de dólares federais despejados nestes programas intrusivos, realmente se importem em explorar os dados coleccionados ilegalmente pelo NSAC sobre americanos inocentes.

Aquele observador das liberdades civis conclui que tem "desde há muito suspeitado que a discordância do Congresso e a anunciada morte do programa TIA do Pentágono resultaria numa versão oculta e mais invasiva do programa".

Plus ça change, plus c'est la même chose. Em algum lugar próximo a Washington o almirante Poindexter está a inclinar-se na sua poltrona, a encher o cachimbo e a sorrir.