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Espionaxe na Internet


NIÑO DE DADOS

A Internet revela-se como um potente fornecedor de dados para a espionagem comercial, criminal e estatal
 
•    Um dos maiores perigos é o descuido por parte das pessoas no seu uso diário de novas tecnologias.
•    Desconhecemos até que ponto existe observaçom contínua por parte de autoridades ou expertos informáticos nom ligados a elas.
•    As redes sociais, blogues (web 2.0) som um buraco negro de informaçom que pode limitar a privacidade e a intimidade.

A Internet, como rede mundial de comunicaçons é um ninho de dados cada vez maior que,  mal empregado, pode estar servindo para muito mais do que deveria ser: informaçom pessoal e com controlo pessoal sobre a sua difusom. Qualquer simples descuido ao tornar públicas informaçons que nom deveriam sê-lo pode acarretar que elas viajem para lugares dos quais ninguém gostaria.
O mau uso das ferramentas que nos oferece a navegaçom pola Internet, a vigiláncia por parte de Estados e empresas para diversos fins e a existência de Estados que perseguem utilizadores incómodos ou contrários ao seu regime (com a estrita colaboraçom das empresas que ali operam) som os problemas que fam da rede um lugar nom tam seguro, anónimo ou democrático como se promulga.
Sem irmos mais longe, os utilizadores finais adquirimos umha série de maus costumes que deixam a porta aberta da nossa intimidade com a chave posta. O mero facto de nom apagarmos o historial do nosso navegador de Internet (pesquisas realizadas, senhas gravadas, inícios de sessom activos, etc.) pode significar que, por exemplo, outra pessoa que emprega o nosso computador, ou um outro computador, poda vir a saber desde que jornal electrónico consultamos ou qual é o servidor onde se encontra o nosso correio pessoal até conhecer a tendência ideológica, consultar o nosso correio ou página pessoal do Facebook ou, mesmo, enviar mensagens a partir desses suportes. Cumpre salientar que existem vírus capazes de ler a nossa informaçom privada, inclusive senhas, polo que, se nom se for constante na protecçom antiviral (principalmente nos sistemas de Microsoft), todo cuidado poderá ser insuficiente.
Outro dos perigos emana do mau uso (ou uso excessivo) das redes sociais. Este fenómeno, já assente na nossa sociedade, favorece a criaçom de redes de utilizadores em que se espalha a informaçom em excesso. A partir dessas redes podem obter-se facilmente dados que antes seria difícil conhecer através da Internet. Partilhar fotografias, aventuras diárias, passatempos e, sobretudo, relaçons pessoais é realmente arriscado. Devemos, desde a altura em que decidimos aderir a umha rede social, optimizarmos a privacidade na configuraçom. Além disso, cumpre analisar em todo o momento quem e o que pode ter acesso às pessoas que somamos aos nossos contactos.
A informaçom contida nas redes sociais é, desde os seus inícios, umha mina de ouro para a espionagem sentimental, para quem quer saber demasiado do conhecido/amigo/amante. Porém, conforme se fôrom generalizando, também se achárom outras possibilidades: ao chefe servem para saber do nosso comportamento fora do lugar de trabalho; às empresas, para obterem informaçom adicional aos nossos currículos. As redes sociais constituem também um perigo do ponto de vista da integridade física e psicológica,  pois aqui nom existe umha barreira que impida a perseguiçom ou o assédio. É fácil imaginar os riscos que significa para pessoas que sofrem violência escolar ou de género.
Trata-se, em todo o caso, de mantermos o controlo sobre o que é nosso. Se nom quereríamos deixar a nossa documentaçom, correio pessoal, conversas privadas ou dados bancários nas maos de umha única pessoa inapropriada, como é que fazemos tal numha rede que engloba milhons de utilizadores?
 
"Inteligência" e segurança nacional
A denominada "Inteligência estatal" toma também parte no que é o controlo da sociedade com a Internet como ferramenta. Desde há décadas, som freqüentes episódios de espionagem com o pretexto da manutençom da segurança nacional. É umha realidade difusa nalguns casos, mas evidente noutros. Sitel (Sistema Integrado de Interceptaçom Telefónica) no estado espanhol é o exemplo mais claro. O próprio Partido Popular, instigador da sua colocaçom em marcha com um investimento superior a 9 milhons de euros, clama agora contra a sua existência, já que tal sistema está agora tirando à luz as sujidades das suas práticas no Caso Gürtel. Segundo as leis espanholas, nom se comete ilegalidade se as escuitas forem feitas sob tutela judicial. Mais oculto está Echelon, um sistema de espionagem de todas as comunicaçons a nível mundial que leva funcionando desde a Guerra Fria. É gerido pola Agência Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, com a colaboraçom da Nova Zelándia, da Austrália, do Canadá e do Reino Unido. Há nove anos chegou a investigar a sua existência o Parlamento Europeu, por causa da espionagem comercial exercida através deste sistema. Após os atentados de Nova Iorque do 11 de Setembro de 2001, todo ficou em silêncio.

Internet, útil para a caça de “inimigos de Estado”
Os regimes políticos nom democráticos e também democráticos estabelecêrom as suas próprias regras de jogo na rede. Estas regras som as que empresas como a Google, a Yahoo ou a Microsoft tenhem que seguir para operarem em paises como o Irám ou a China, onde colaboram activamente na procura de “infractores”.
O governo chinês solicita informaçom sobre utilizadores declarados perigosos através das empresas de telecomunicaçons que operam sob a sua jurisdiçom. Exemplo do funcionamento deste tandem é  o jornalista chinês Shi Tao, que cumpre actualmente umha pena de dez anos por difundir umha nota secreta do Governo de Beijing em que se impedia informar do décimo quinto aniversário do massacre da praça de Tiananmen, no qual morrêrom 3000 pessoas. A mensagem de correio electrónico em que se divulgava a nota governamental foi enviada através do Yahoo, que cumpriu com o seu papel na repressom. O governo do Irám, por seu turno, bota mao de sofisticados sistemas de leitura de pacotes (que também possui o governo da China), o que lhe permite ler páginas internéticas e mensagens de correio-e privadas (recursos para já restringidos a mui poucos utilizadores iranianos), como aconteceu no caso de Omidreza Mirsayafi, falecido numha prisom de Teerám.