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Unha declaracións inspiradora


CARTA DE NAOMI KLEIN

Estimados membros do Senado da ASUC,

Escrevo para vos instigar a reafirmar a Declaração 118A do Senado, apesar do recente veto presidencial.

Não surpreende que estejam a sofrer uma intensa pressão para inverter a vossa posição histórica e democrática de desinvestirem em duas empresas que lucram com a ocupação de Israel dos territórios palestinianos. Quando uma escola com uma merecida reputação de excelência académica e de liderança moral toma uma posição tão corajosa, ameaça inspirar outros a assumir a sua própria posição.

Com efeito, Berkeley - o campus e a comunidade em geral - proporcionou este tipo de liderança em muitas questões-chave no passado: não só sobre o Apartheid na África do Sul, mas também sobre as fábricas clandestinas na Indonésia, a ditadura na Birmânia, os assassinatos políticos na Nigéria, e a lista podia continuar. Vezes sem conta, quando o apelo de solidariedade internacional veio de gente sem voz em termos políticos, Berkeley foi dos primeiros a responder. E, praticamente em todos os casos, o que começou com uma acção restrita numa comunidade progressista, rapidamente alastrou ao resto do país e do mundo.

A vossa recente declaração de desinvestimento, opondo-se aos crimes de guerra israelitas, está a ter o mesmo tipo de impacto global, ajudando a construir um movimento popular pacífico para pôr fim às violações da lei internacional por parte de Israel. E é isso precisamente que os vossos opositores - espalhando deliberadamente mentiras acerca das vossas acções - pretendem desesperadamente evitar. Vão mesmo tão longe como pretender que, no futuro, não deveriam existir campanhas de boicote que tenham como alvo um país específico, uma jogada que iria privar os activistas de uma das suas armas mais eficazes do arsenal da não-violência. Por favor, não cedam a essa pressão; estão demasiadas coisas em jogo.

Uma vez que o mundo acaba de testemunhar a recusa do governo de Netanyahu de parar a sua expansão ilegal dos colonatos, a pressão política só por si não é suficiente para afastar Israel do seu actual desastroso rumo. E quando os nossos governos se revelam incapazes de aplicar sanções a ilegalidades agressivas, têm de surgir outras formas de pressão, incluindo as que visam as corporações que estão a lucrar directamente com as violações dos direitos humanos.

Sempre que empreendemos uma acção política, expomo-nos a acusações de hipocrisia e de duplicidade de critérios, já que a verdade é que nunca conseguimos fazer o suficiente face à injustiça global disseminada. No entanto, argumentar que tomar uma posição clara contra os crimes de guerra israelitas é de certo modo "discriminar injustamente" israelitas e judeus (como o veto parece sustentar) é perverter de forma grosseira a linguagem dos direitos humanos. Longe de "discriminar Israel," com a Declaração 118A do Senado, estão a agir no âmbito da tradição louvável e inspiradora de Berkeley.

Compreendo que haja algum debate sobre se a vossa declaração foi ou não aprovada "à pressa". Não tendo lá estado, não posso comentar o processo, contudo estou profundamente impressionada com a cuidadosa pesquisa que pesou na decisão. Também sei que em 2005 uma extraordinariamente grande diversidade de organizações da sociedade civil palestiniana apelou aos activistas de todo o mundo para que aprovassem precisamente este tipo de tácticas pacíficas de pressão. Nos anos que se seguiram a esse apelo, todos nós vimos como aumentaram dramaticamente as violações israelitas: o ataque ao Líbano no verão de 2006, uma expansão massiva dos colonatos e dos muros ilegais, um cerco, em curso, a Gaza que viola todas as proibições sobre punição colectiva e, o pior de tudo, o ataque de 2008/9 a Gaza que causou cerca de 1 400 mortos.

Gostaria, humildemente, de lembrar que quando se trata de agir para acabar com os crimes de guerra israelitas, a resposta internacional não sofre de muita pressa, mas de muito pouca. Este é um momento de grande urgência e o mundo está atento.

Coragem.

Atenciosamente,

Naomi Klein

31 de Março de 2010

Tradução de Paula Coelho