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À beira do camiño


Ciganos na Franza

Diante da pergunta se tem medo de ser expulsa, Elena, uma das integrantes do acampamento, mostra o seu bilhete de identidade,no qual se lê que é da Roménia, país membro da União Europeia, como a França.
Na entrada de um acampamento cigano nesta cidade do norte da França podem-se ver bicicletas quebradas e malas velhas. Meninos e meninas, com barro até aos tornozelos, pegam a mão do jornalista da IPS e levam-no aonde estão os pais. Diante da pergunta se tem medo de ser expulsa, Elena, uma das integrantes do acampamento, mostra o seu bilhete de identidade,no qual se lê que é da Roménia, país membro da União Europeia, como a França. Elena e a sua família, bem como outros ciganos da França, correm o risco de ser expulsos a qualquer momento.
No centro de Villeneuve d’Ascq, uma comunidade pobre de Lille, pode-se ler nuns painéis os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida adequado”, diz um cartaz. “Ninguém será privado arbitrariamente de sua propriedade”, afirma outro. É evidente que no acampamento dos ciganos, não muito longe dali, são violados esses direitos, considerados fundamentais pela Organização das Nações Unidas.
Não há adequadas instalações sanitárias e nem água corrente, meninas e meninos urinam num canto de um estacionamento vizinho. O risco de o acampamento, com as suas seis casas rolantes, ser desmantelado é real. Há algumas semanas foram usados tractores para desmantelar outro assentamento cigano próximo. “Temos muitos problemas com a polícia”, disse Vasir, morador do acampamento. “Eles vêm muitas vezes. Não temos trabalho, nem dinheiro, nem nada”, afirmou.
Os esforços das autoridades francesas para expulsar os ciganos concentraram-se na cidade de Lille e seus arredores. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, acusou os estrangeiros de serem delinquentes num discurso feito em Julho. Também disse que não seriam “tolerados” os acampamentos ciganos.
A primeira operação policial contra os ciganos, após o discurso do chefe de Estado, foi na comunidade de Lesquin, perto de Lille, quando 48 pessoas e 14 casas rolantes foram “evacuadas”, segundo a retórica oficial. Foi a primeira medida, que prosseguiu com a expulsão de mil ciganos em Agosto. Na última semana de Agosto, nove adultos e 12 menores foram tirados das suas casas rolantes, segundo as autoridades, por ocuparem propriedade privada.
A medida gerou reacções na justiça e na sociedade civil. Um tribunal de Lille deu duas sentenças contra o argumento de que os acampamentos ciganos são uma ameaça à ordem pública. Houve protestos nesta cidade contra a política de Sarkozy em relação aos ciganos e à reforma da Segurança Social. É uma vergonha para a França, segundo os manifestantes. A difícil situação dos 1.200 ciganos em Lille e arredores também é motivo de disputas entre os partidos políticos.
Depois das críticas contra a expulsão de ciganos feitas pela primeira-secretária do opositor Partido Socialista, Martine Aubry, os aliados centro-direitistas do presidente acusaram-na de manter um duplo discurso, porque, como presidente da câmara desta cidade, propôs, no começo deste Verão, desmantelar os acampamentos.