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BDS: a força de umha iniciativa civil


CAMPAÑA GLOBAL

A partida da Flotilha da Liberdade II com ajuda para a castigada  populaçom de Gaza e com o objectivo declarado de tentar romper o bloqueio coincide no tempo com alguns acontecimentos que podem vir a modificar substancialmente a situaçom na zona (abertura da fronteira de Rafah, acordo Fatah-Hamas, ameaças de Israel na ONU secundadas polos EUA, o RU, a Franza e Gabom, significativas disidências no interior de Israel, etc.).

Bom momento, parece, para reflectir sobre as possibilidades de umha campanha civil -Boicote, Desinvestimento e Sançons a Israel- que ganha importáncia dia a dia em todo o mundo e que no nosso país começou a desenvolver-se hai agora quase um ano, quando um grupo de activistas da plataforma BDS-Galiza protestou às portas do Centro Dramático Galego contra a presença, financiada com dinheiro público, de Shlomo Ben Ami, conhecido político israelita que tem no seu haver desatinos tam estridentes como o de afirmar que o assalto criminal da marinha sionista à primeira Flotilha da Liberdade, em águas internacionais, fora um acto de legitima defensa.

 

Proposta hai agora 6 anos por mais de 150 colectivos palestinianos e apoiada de imediato por grupos e persoas relevantes no ámbito internacional, hoje a campanha BDS é promovida em todo o mundo por um número crecente de organizaçons humanitárias, sindicatos, grupos religiosos, agrupaçons de estudantes, associaçons de defensa dos direitos humanos, professionais, persoas ligadas ao mundo académico e científico, artistas, vários Prémios Nóbel, etc, e conta com o apoio da opiniom pública mais informada, que em países como Noruega alcança já o 40% da populaçom.

 Um movimento global que chega ao interior de Israel, onde nom faltam persoas e grupos pacifistas que promovem também esta iniciativa cujo referente imediato hai que buscá-lo na campanha de boicote a África do Sul, que tanto contribuiu hai décadas a dar cabo daquele ignominioso estado de apartheid,  e tem antecedentes tam ilustres como o boicote contra os produtos de estados traficantes de persoas organizado hai mais de dous centos anos no Reino Unido por ligas de mulheres contrárias ao comércio de escravos.

 Mas da potência crecente do movimento global a melhor prova talvez seja a reacçom do próprio Israel que, longe  -mui longe- de reconhecer o carácter civil e pacífico da campanha, opta por umha estratégia tam agressiva como eloquente. Por umha parte, ameaça com actuar directamente e em qualquer lugar contra activistas e colectivos que pratiquem e promovam o boicote aos seus produtos (no meio do silêncio indecente dos governos ocidentais que parecem admitir sem rubor que Israel actue no território em que eles detenhem, ou detinham, a potestade exclusiva) e pola outra organiza missons de militantes sionistas que viajam por Europa recrutando persoas dispostas a manifestarem publicamente a sua oposiçom à campanha  (meios nom faltam e, ao que se vai vendo, de consciências de fácil acomodo tampouco hai grande penúria).

 

Reacçom interessante esta de Israel embora nom de todo novidosa. Que tenhamos notícia, o acoso a activistas BDS em operativos policiais com presença de indivíduos à paisana nom identificados, que observam e orientam as actuaçons dos agentes, já foi praticado em Gasteiz hai dous anos e em Madrid hai um par de semanas com activistas Rumbo a Gaza.

 Na Galiza

 No nosso país,  a actividade da plataforma BDS-Galiza, que tamém participa na Flotilha, tem no curto prazo três objectivos principais: i) a cancelaçom do convénio que a Universidade de Compostela (USC) tem assinado com a Universidade Ben Gurión (UBG); ii) a rotura das relaçons empresariais que a fábrica de armas Sta. Bárbara Sistemas mantén com a indústria militar israelita;  iii) o boicote a cosméticos produzidos com água do Mar Morto exportados por Israel.

 A UBG, umha "instituiçom orgulhosamente sionista" segundo definiçom  da sua presidente, Rivka Cami, é um dos baluartes da ideologia oficial do estado de Israel. Tem vínculos estreitos com o exército e a indústria de armamento, pratica a discriminaçom étnica e persegue implacavelmente a crítica à ocupaçom ilegal dos territórios palestinianos.

O passado 23 de Março, sentando um precedente mui importante, a Universidade de Johannesbourg (UJ) , por acordo maioritário do claustro, pujo fim às relaçons que vinha mantendo com a UBG. Com esta decisiom,o claustro confirmou o esmagador apoio dado pola comunidade acadêmica ao apelo do comité promotor da petiçom, entre cujos membros figuram algumhas das persoas de maior prestígio na África do Sul (o prémio Nobel Desmond Tutu, o ex ministro Ronnie Kasrils, o bispo Rubin Philips, o humorista Jonathan “Zapiro” Shapiro, etc.).

Nestes momentos, BDS-Galiza, despois de manter umha reuniom com o actual reitor, D. Juan Casares Long, que se comprometeu a estudar vias possíveis para abrir o debate na  USC sobre a conveniência de cancelar o convénio assinado em Janeiro de 2010, prepara a campanha de informaçom e recolhida de apoios na comunidade universitária.

No que di respeito a Santa Bárbara Sistemas , a plataforma BDS-Galiza denunciou, em escrito enviado aos três grupos do Parlamento Galego, as "intensas relaçons" que a empresa da Corunha mantém com a indústria militar israelita segundo consta no relatório Espanya-Israel. Relacions en matèria militar, armamentística i de seguretat. Balanç i tendències, elaborado polo Centre d'Estudis per a la Pau-JMDèlas.

Dada a impossibilidade de descartar a hipótese de que desde Galiza se envie material militar a Israel, a plataforma solicitou dos portavozes parlamentares  -“ en tanto que representantes da sociedade civil, e desexando que desde territorio galego non se transfira material militar ao Estado de Israel para perpetrar un novo masacre na populación civil de Gaza (...)" - demandassem do Ministério de Defensa do Governo de Estado Español informaçom completa e pormenorizada sobre essas relaçons que, de se confirmarem, suporiam umha aberta violaçom de compromissos internacionais adquiridos polo Reino de España.

Por agora, BDS-Galiza só obtivo resposta do grupo do BNG e o passado 14 de Março o deputado Francisco Jorquera registou no Congresso umha Solicitude de Dados, Informes e Documentos que deveriam permitir determinar qual é a envergadura exacta dessas relaçons.

Por outra parte, BDS-Galiza prepara a campanha de boicote a cosméticos da empresa israelita AHAVA elaborados com água e sales do Mar Morto, cuja extracçom, realizada em territórios ocupados e roubando recursos naturais aos seus legítimos proprietários, supom igualmente umha violaçom flagrante da legislaçom internacional.

Como primeiro passo, a plataforma porá em marcha umha campanha de sensibilizaçom social e solicitará a retirada dos produtos às empresas que os comercializam. Cumpre lembrar que tendas da cadeia Sephora  de diferentes cidades europeias (a última em Luxemburgo) deixarom já de vender cosméticos AHAVA em resposta às demandas do Movimento BDS Global.