You are herePor quê não há compaixão para os palestinianos?

Por quê não há compaixão para os palestinianos?


Tariq Ai
12/04/2012

O escritor alemão Günter Grass (O tambor) já predizia a reação ao seu poema em Süddeutsche Zeitung. Não há motivo para se surpreender, mas há todos os motivos para se desagradar. Dentro da Alemanha tanto a elite como uma capa da população, pelas suas palavras e ações, parecem ter aceitado a ignominiosa tese de Goldhagen pela qual todos os alemães são culpados dos crimes do Terceiro Reich. Agora essa tese se levou mais longe: todos os alemães são culpados de aqui à eternidade dos crimes do Terceiro Reich.

Por trás deste modo de pensar está o argumento sionista e "sionófilo" de que o crime da Europa contra os judeus foi inigualável nos anais da história. É verdade quanto ao método de extermínio, mas não em todo o demais. Os belgas massacraram os congoleses em maior número: mais de 10 milhões segundo o historiador Adam Hochschild. A matança de arménios durante a Primeira Guerra Mundial foi sistémica e poderíamos continuar e discutir o bombardeio atómico de Hiroshima e Nagasaki, mas a comparação de um massacre ou genocídio com outro é um exercício fútil. Raul Hilberg, o historiador melhor documentado do "judeocidio" enfureceu-se pela utilização que se faz desse crime na atualidade.

Alguns membros do governo de extrema direita, e Lieberman designadamente, que governam Israel atualmente utilizaram uma linguagem proto-fascista contra os palestinianos árabes. Não se nos permite que o assinalemos?Quase não constitui um segredo que foi o governo israelita o que impulsionou o governo de Bush a ir à guerra contra Iraque. Também não o é a declaração do embaixador israelita em EE.UU. no dia após a queda de Bagdá: “Não se detenham. Sigam adiante até Damasco e Teerão”. Não se nos permite que o refutemos? O ataque e o assassinato de jovens palestinianos em Gaza e outros sítios estão perfeitamente bem, verdade?

As críticas de Günter Grass foram muito moderadas. Concentrou-se no belicismo israelita com respeito a Irão. Poderia ter dito bem mais. O facto de que faz falta valentia política até para dizer o que disse é um triste reflexo da cultura política em ambos países. Quanto aos ataques contra Grass pelas suas atividades durante a guerra, são desprezíveis. Os israelitas mostraram-se deleitados quando o ex ministro italiano Gianfranco Fini, cujo partido desce linearmente de Mussolini, foi a Israel e elogiou o Muro. Perdoou-se-lhe o passado do seu partido. Portanto o passado só importa se uma pessoa critica a Israel. Os ex nazis em diversas posições na República Federal da posguerra, que conseguiram que se aprovassem as reparações e apoiassem a Israel, nunca foram criticados.

Os cidadãos alemães deveriam meditar sobre o seguinte: os palestinianos não foram responsáveis do assassinato de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, eles, os palestinianos, converteram-se nas vítimas indiretas do judeocídio. Os que sofrem el mal impôem-no agora a outros. Por quê portanto não há compaixão para os palestinianos?
 

Fonte: Counterpounch