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Quem traiu o soldado Manning?


Iroel Sánchez Espinosa
10/12/2012

Manning é o suposto autor da filtração de centos de milhares de documentos dos Departamentos de Estado e Defesa dos Estados Unidos à organização Wikileaks. Nenhum desses materiais fala de problemas internos do seu país, senão de como são tratados os seus prisioneiros e supostos inimigos por todo mundo e do modo em que Washington viola em massa e sistematicamente nos factos o que leva decenios proclamando como justificativa da sua política exterior: a defesa dos direitos humanos fora das suas fronteiras.

Mas a audiência desta semana não é a respeito do que fez Bradley Manning com esses documentos, senão sobre como foi tratado em uma prisão militar onde o isolaram em uma cela de cinco metros quadrados, o obrigaram a dormir nu e lhe retiraram os óculos. A denúncia dessas condições degradantes chegou a impactar em setores influentes de EE.UU.: colegas de estudo e profissão de Barack Obama enviaram uma carta ao presidente desde a Escola de Leis de Harvard, um portavoz do Departamento de Estado qualificou-as de contraproducentes, pelo que foi obrigado a renunciar, e o congressista Dennis Kucinich, a quem se impediu visitar o soldado no cárcere, comparou as suas condições com os abusos na prisão estadunidense de Abu Ghraib, em Bagdag.

O conselho de guerra em que a Manning será julgado por "alta traição", e onde se solicitará para ele a pena perpétua, começará o 4 de fevereiro. Uma alta traição aos torturadores de Guantánamo e os cárceres secretos da CIA, aos golpistas de Venezuela e Honduras, aos assassinos em série no Iraque e no Afeganistão, mas sobretudo aos que os mandataron para fazê-lo. Se, como um Prometeu do século XXI, Bradley Manning permanecer encadeado de por vida, a sua condenação incriminará os seus promotores bem mais do que as vexações a que este jovem foi submetido por despir ante o mundo a hipocrisia dos Zeus contemporâneos, chamem-se Obama ou Bush.

 

Original: Libre Red