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Carromero: terceiro grau express?


Antonia Chinchilla
09/01/2013

Vou cometer uma imprudência, algo que um advogado -nem no seu exercício nem fora dele- jamais deve fazer: pronunciar-se num tema sobre o qual não tenha toda a informação possível, sobre um assunto do que conheça sentenças, argumentos das partes, ditames técnicos e qualquer outra feição que contribua a um saber exaustivo e profundo do assunto.

Não obstante -pela tormenta mediática, com razão- que se montou sobre este episódio, é preciso fazer algumas reflexões porque já é muito o que sabemos através de todos os meios.

Vamos esclarecer o que sabemos e podemos dar como provado: um senhor, chamado Carromero, que é um líder juvenil do PP, que é assessor de algo num distrito madrileno, que é amigo de altos cargos populares (só há que ver como correu a senhora Aguirre para o ir ver ao cárcere de Segovia), vai a Cuba. Nada que objetar embora -do publicado nos meios- não fica claro se foi em viagem de prazer, em viagem de partido, para se formar, para fazer propaganda ou proselitismo ou para colaborar de alguma forma com movimentos políticos cubanos. Até aqui todo perfeito porque entra no campo das atividades lúdicas, recreativas, formativas ou políticas às que todo o cidadão tem direito. Nos foros e nos comentários que agora se fazem a toda notícia, a gente pregunta-se quem pagou essa viagem? Não vi respostas mas também as perguntas anónimas não me preocupam muito.

Está o senhor Carromero em terras cubanas e tem lugar o grande problema. Conduz um carro com duas pessoas detrás que, para ensarilhar ainda mais o assunto, são destacados membros da disidência anticastrista. Tem um acidente importante e os dois cubanos resultam mortos. Isto está claro, mas já não está tão claro se o acidente teve lugar pelo mau estado da estrada, se o senhor Carromero conduzia imprudentemente, se conduzia sem carta de condução por ter perdido todos os pontos em Espanha. E aí desatam-se todas as tormentas. Há um processo em Cuba mas dona Esperança mistura alhos com bugalhos, envolve a velocidade com o touzinho e no que é um procedimento comum onde os houver de um acidente de circulação com o resultado de duas pessoas mortas -algo que pode ser delito em Cuba, em Espanha, no Japão e em Ruanda- dona Esperança ensarilha a ditadura comunista e, a pouco que nos descuidemos, até ao complô judeomasónico e ao contubérnio de Munich.

Há um acidente de tráfico com dois mortos, há um julgamento e há uma condenação -reitero a meu atrevimiento vizinho da imprudencia por não ter lido e volto a ler o depoimento de sentença no que constarão os feitos com que se demonstram provados-.

Há um espanhol -membro do PP, assessor da câmara municipal de Madrid o que parece que acelerou de maneira invulgar a sua transladação a Espanha- que tem uma responsabilidade penal pendente de cumprimento como outros milhares de espanhóis que estão em cárceres estrangeiras e para os que não se atua com igual rapidez, que padecem o esquecimento estatal e penan a diário em meios precários, insalubres e miseráveis. Temos várias varas de medir neste terreno?

 

Fonte: Derecho Penitenciario