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Desvergonha


01/02/2013

Assomar-se aos jornais cada manhá é um acto de valor ou de masoquismo. Comentar as noticias resulta uma aborrida rotina polo reiterado do que ja não é novidade: o emprego que se fai de todos os medios para desmantelar o estado do benestar alcanzado em base a luitas sociais e sindicais e muito sofrimento; a clase política entrou a saco na nossa economia empobrcendo um país que, com alternativas, confiou numas siglas, nuns projectos, numas propostas ou oferecimentos, pensando sempre que esses políticos ou essa força política à que havia encomendado o governo do Estado responderiam á confiança depositada.

Pois bem, não foi assim. O dinheiro roubado polos nossos governantes daria para manter sem cortes sanidade, educação e o resto dos serviços públicos, o poder salarial do mundo do trabalho e a competitividade das nossas empresas. Sempre pensamos que ante o que opina a cidadania dos políticos, estes procurariam passar sem maior escándalo o tempo em que tardemos em recuperar confiança no futuro.

Mas sinto profunda nausea ao comprovar como fica instalada a desvergonha e o desprezo na "clase dirigente" que nem guardam as formas. Ruiz Gallardón, faraónico ex-alcalde de Madrid, que deixou hipotecados os madrilenhos por varias décadas, e prescindivel ministro de Justiça do Governo espanhol, não tivo reparos, tirando de prerrogativas discrecionais, em outorgar e assinar o indulto a um cidadao condenado a trece anos de cadeia por matar a outro num acidente de tráfico no que circulava por direcção contraria.

Desconheço as circunstancia nas que ocorrerom os feitos, mas é realmente excepcional que um acidente de tránsito remate com condena tam elevada. Não é um delito culposo ou por imprudencia, que poderia rematar com condena de poucos meses até máximo de seis anos. Se a condena é de treze anos é porque se considerou delito doloso, é dizer, que o condenado quisso esse resultado danoso, porque conduzia com grave desprezo para a vida dos demais; porque a pena imposta é o grao médio da correspondente ao homicidio sem circunstancias (art. 138 CP) ou a suma do homicidio e as lessões; acrescentamos polo tanto que o tribunal não atopou nenguma circunstacia atenuante no comportamento do punido. O punido conduzia seu veículo durante varios kilómetros pola AP-7 (Valencia) em direcção contraria ao sentido da marcha embatendo frontalmente com uma carrinha ocupada por duas pessoas resultando morta uma delas e com feridas graves a outra. Trata-se portanto de um tipo que não podemos considerar nem maluco, pois não resulta das noticias que circulasse sob influências tóxicas nem alcoolicas nem vítima de forte depressão, nem sofresse desmaio; é um tipo criminoso, perigoso nas estradas mas que igualmente anuncia perigo em cualquer outra circunstancia ou ocupação da vida.

Pos bem, a este tipo, defendido no bufete do filho do Sr. Alberto Ruiz Gallardón, outorga o indulto o Ministro de Justiça que, olha que casualidade!, é dom Alberto Ruiz Gallardon; e fica tão tranquilo. Ao cabo já limitou as posibilidades de acudir aos tribunais de justiça á meirande parte dos cidadaos do Estado espanhol, já ignorou os mandados constitucionais, já se riu dos milhões de cidadaos que sairom á rua para amosar seu rejeitamento às medidas por ele tomadas, já se enfrentou a toda a classe jurídica (juizes, advogados, procuradores, funcionários judiciais, secretários de julgados...), chulescamente e sem perder o sorriso... e não passou nada.

Desvergonha. Despotismo. Arbitrariedade. Mexar por nós. Tanta arbitrariedade que inclusive o Ministro do Interior manifesta que é politica do governo não conceder indultos nos delitos contra a segurança vial. Ao Sr. Gallardon "se la trae al pairo" a politica do governo, a sensibilidade dos cidadaos, a opiniao pública e as obrigas do seu cargo.

O feito em si é detestável e mesmo ofensivo se pensamos nas muitas pessoas que por feitos culposos ou de necessidade cumprem condena de cárcerel e vem rejeitadas as suas petiçoes de indulto ou aqueles totalmente reinsertados que ao cabo de anos som julgados e penados, como ocorre no caso de David Reboredo, extoxicómano, reinsertado e realizando trabalhos a favor da sociedade.

É o que temos. E o que teremos mentras não decidamos outra cousa; porque a especie perpetuasse e seguem a tese de que "xa cansarán".

 

Original: Sermos Galiza