Em Nueva Revolución falamos co militante independentista e ex preso político galego para conhecer a sua visom sobre a Operación Jaro e a realidade da militância e a luita soberanista na Galiza.

 

Como definiría a Operación Jaro?

A Operaçom Jaro é umha aposta policial, judicial e política por enfraquecer no máximo, ou directamente esfarelar, o independentismo organizado na Galiza: um independentismo que fale explicitamente de soberania plena, e que se dote de forças políticas e sociais próprias para socializar esta ideia e mobilizar o povo nesta direcçom. Em coordenadas amplas, nom é umha novidade absoluta na Galiza, pois desde 1980 o Estado leva lançando operaçons assim com periodicidade variável (1980 contra o PGP e Galiza Ceive, 1991 contra APU, 2005 contra Briga e AMI). Há, porém, dous elementos novos: no passado perseguiam-se reais ou alegadas vinculaçons práticas com delitos violentos, ou pertenças a organizaçons armadas. Neste caso, persegue-se exclusivamente o delito de opiniom. Entende-se que a solidariedade pública com as presas e presos ou a vindicaçom da memória combatente galega som delitos que lindam com o que o nosso inimigo chama ‘terrorismo’.Por outra parte, nenhuma das operaçons que citamos, que se dérom en conjunturas políticas mui tensas, nas que várias organizaçons no Estado exerciam realmente a luita armada, culminou na proposta de ilegalizar organizaçons. Com o que paradoxalmente, num contexto sem violência os sectores mais involucionistas do estado apostam por ampliar indiscriminadamente as condenas polo dito ‘terrorismo’.

Existen motivos para que actualmente na Galiza se leven a cabao operaçons de comando, executadas por forças especiais e gardas civís encarapuçados que assaltan de madrugada a ponta de metralheta domicilios de militantes independentistas?

Cumpre distinguir razom moral de motivos; razom moral nom a há, motivos políticos hai-nos. Os motivos de quem pretendem manter umha orde injusta a todo preço. O Estado nom pode permitir a organizaçom política do independentismo na Galiza, pois sabe do seu potencial; e entom, à margem de hipotéticas sançons penais por actividade política, que o seu ordenamento jurídico, formalmente democrático, nom permite, aposta por outro tipo de castigos. E velaí o castigo do medo, que se desdobra com a espectacularidade dos encapuzados armados, o castigo da condena mediática sem juízo, na que colaboram importantes cabeçalhos da imprensa servil, nomeadamente ‘La Voz de Galicia’, e o castigo dum juízo a 500 km da nossa Terra. Com o trastorno que isto supom para doze trabalhadores e trabalhadoras que tenhem que deslocar-se a Espanha, pedir dias livres, gastar o seu dinheiro, afrontar os custes psicológicos…por fortuna, o calor da solidariedade alívia esta condena, que é independente de qualquer condena formal.

Existe unha estratexia de represión puntualmente desenhada contra o independentismo galego?

Sem dúvida, existe desde há 40 anos. Basea-se em:

1. Prevençom. Um trabalho de inteligência exaustivo para delimitar os perfis de todas as pessoas que se manifestam e sobretodo organizam pola independência galega que a própria guarda civil reconheceu no juízo passado. Por outras palavras, espionagem de vidas quotidianas, comunicaçons online, actos políticos e vida social.

2. Ameaça e coerçom. Bloqueio de actividades públicas, censura da nossa propaganda, visitas a centros de trabalho e famílias dos militantes.

3. sincronizaçom da acçom policial com jornalistas lacaios, que actuam de gabinete de imprensa da guarda civil e polícia, dosificando informaçom e criminalizaçom em funçom dos ritmos políticos que interessem ao Estado.

4. Castigo severo. No caso de militantes envolvidos, real ou alegadamente, em sabotagens e violência política, imposiçom dum tipo de condenas e regime carcerário de excepçom, mui por riba, por exemplo, do que pode padecer umha pessoa acusada de homicídio ou assassinato. Quero lembrar aqui as condenas de 13 anos e nove meses, em regime FIES, que estám a padecer Vigo Domínguez e Rodríguez Fiallega, assim como o risco de condenas que pairam sobre outras presas e presos em regime preventivo. Houvo, é certo, umha certa melhora das condiçons carcerárias -fim da dispersom- depois de lustros de luita de rua e institucional.

Considera que tras o procés catalán profundouse a represión policial e xudicial do estado espanhol contra as alternativas políticas independentistas ou este mantívose constante no tempo?

Nom, para nós nada mudou. Ora, o acontecido na Catalunha foi um processo clarificador que reforçou as nossas teses a olhos de muitos. Pois demonstrou que o estado nom persegue apenas a acçom violenta independentista; persegue a acçom independentista em geral, mesmo se por cauces cívicos, se esta está realmente disposta a avançar cara seus objectivos.

Existen motivos para desconfiar da imparcialidade da Audiencia Nacional durante todo este proceso?

Os motivos som empíricos, históricos. Levamos ‘convivindo’ com este tribunal, como arredistas, desde 1980. Animo a consultar nas hemerotecas os juízos e as condenas. Animo também a consultar as chamadas de atençom de Estrasburgo a certas sentenças deste tribunal.

Como valoras o estado de saúde do independentismo galego?

Permita-se-me tomar a frase que um historiador aplicou a Espanha pois, curiosamente, é extrapolável a nós: ‘um doente crónico com saúde de ferro’. Historicamente minoritário, submetido a condiçons extremas de subsistência por parte do Estado, e com umha dificuldade algo irritante por coalhar em estruturas políticas que perdurem. Porém, sempre vivo, sempre renovado, capaz de sobrepor-se aos cenários mais críticos e nutrido com novas geraçons ilusionadas e dispostas a dar muito pola sua Terra. Certeiro nas suas análises, que adoitam ser assumidas por capas da populaçom muitos anos depois de serem formuladas. Claro que o objectivo deve ser superar a doença crónica para alcançar a plenitude. Nessas andamos.

Existe un caminho legal para a independencia?

Acho que a constituiçom espanhola é transparente neste sentido. E também a actuaçom das forças policiais e dos partidos do Regime quando se trata de abordar as exigências independentistas. O bloqueio é absoluto, e se na década de 80 ou 90 foi um bloqueio velado, hoje é explícito, sem nenhum pudor.

Cal debería ser a resposta da sociedade galega e o nacionalismo fronte a este tipo de operacións policiais?

A resposta tópica, certa mas insuficiente é: uniom, solidariedade. Ora, para conseguirmos erguer um muro, antes cumpre sentirmos, no mais fundo da nossa consciência, que nós próprios, as nossas estruturas sociais, e até o futuro das nossas filhas e filhos, estamos a jogar-nos algo realmente importante em matéria de direitos e liberdades. Quando essa consciência de perigo existe, a resposta está à altura.

Que sente un cando afronta accións como esta Operación Jaro contra o independentismo galego, mentres esta mesma semana o estado espanhol recibe a Leopoldo López como preso político venezolano?

Que nom nos enganamos quando julgamos a natureza do Estado que historicamente nos ataca.

Daniel Seixo

Nueva Revolución