Ativistas sauditas pelo direito das mulheres a conduzir, finalmente reconhecido o verão passado, estarão a ser sujeitas a tortura na prisão, afirma uma comissão parlamentar britânica.
Imagem via Twitter.
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Uma comissão de parlamentar britânica afirmou que a Arábia Saudita mantém presas sob condições desumanas um grupo de mulheres que lutou pelo direito a conduzir veículos, revela hoje o jornal The Guardian.

A Arábia Saudita era até ao Verão passado o único país no mundo que proibia as mulheres de conduzir veículos. A proibição foi alvo de diversas campanhas de protesto desde os anos 90. Em Setembro de 2017, estas viram as suas reivindicações finalmente reconhecidas quando o Rei Salman anunciou que a proibição seria levantada a partir de Junho de 2018. Desde então, é possível ver mulheres nas estradas do país. No entanto, ainda um mês antes da proibição terminar, várias figuras conhecidas dessas campanhas, mulheres e homens, foram presas.

 

 

As condições de detenção das ativistas da campanha Women2Drivejá haviam sido alvo de críticas em Novembro passado, quando a Human Rights Watch afirmou que estariam a ser torturadas. Agora, a comissão parlamentar britânica reiterou as críticas. A comissão procurou falar com oito das mulheres detidas, mas viu o seu pedido recusado pelas autoridades sauditas, apesar de contar nas suas fileiras com conservadores que cultivam boas relações com o regime saudita.

No seu relatório, a comissão parlamentar afirma com base nos dados que conseguiu recolher que as ativistas estão detidas em condições cruéis e desumanas e que foram alvo de agressões, privação de sono, ameaças de morte e confinamento em solitária. Embora as violações de direitos humanos não sejam novidade no país, é relativamente raro ouvir-se críticas de governos ou parlamentos ocidentais, dada a proximidade que historicamente cultivaram com o reino saudita.

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