Maurício Macri e a sua ministra da Segurança Pública, Patricia Bullrich, a dupla que promete devolver a tiro a calma à Argentina

 

O governo de Maurício Macri publicou no Boletim Oficial a resolução que legaliza e impõe na Argentina a pena de morte sem julgamento prévio para qualquer argentino. Os encarregados das execuções serão os agentes de segurança de qualquer um dos respectivos corpos.

O critério de aplicação dependerá de cada agente do Estado que tenha uma arma, dos seus preconceitos, das circunstâncias e, naturalmente, do seu estado de saúde mental.

Apesar destas provas contundentes, os dirigentes políticos argentinos continuam a negar-se a qualificar como uma dictocracia este governo que, tendo chegado ao poder pelo voto dos cidadãos se serve dele de maneira autocrática e instala, de facto, o terrorismo de Estado.

A ministra de Segurança Pública, Patricia Bullrich, parece ter copiado o código que rege as forças israelitas de ocupação na Palestina. Faz declarações na imprensa tentando obter a aprovação de parte da sociedade, que vê na crescente insegurança um motivo de preocupação. “Agora vão poder disparar e anteriormente não poderiam fazê-lo, a não ser que um delinquente disparasse”.

Dedo leve no gatilho

O que a ministra não explica publicamente é o que está redigido em letras pequenas nos artigos do decreto.

Por exemplo, no artigo 5º: “Quando integrar um grupo de duas ou mais pessoas e outro membro do grupo possua uma arma ou tenha feito disparos, ou tenha ferido terceiras pessoas.” Ou seja, se numa desordem de rua provocada, por exemplo, por um veículo ter batido noutro, duas pessoas se agredirem fisicamente, o  agente da polícia poderá disparar contra a mulher de um deles que os tente separar, por estar com alguém que agride um terceiro provocando-lhe ferimentos.

Outro ponto estabelece que um agente estatal de segurança poderá usar  armas contra uma pessoa “quando tiver a certeza ou exista alguma ou altamente provável possibilidade de produzir, ainda que sem o uso de armas, a morte ou lesões graves a qualquer pessoa.” Segundo este parágrafo, qualquer um dos agentes que Macri colocou no sistema de segurança das empresas de energia poderá disparar contra um cliente exaltado que, falando alto, exija explicações por uma factura errada, por considerar que essa pessoa é uma ameaça para o empregado da companhia dos amigos do presidente.

A amplitude do critério para disparar permitida por este decreto ilegal é tão vasta que hoje, na Argentina, qualquer pessoa pode ser fuzilada sem julgamento prévio. Regredimos 40 anos num dia.

Além disso, o governo lançou uma campanha, através dos seus agentes nas redes sociais, para tentar obter o consenso da população como aval para esta violação do Código Penal.

Hoje em dia, o governo de Maurício Macri pode mandar fuzilar um manifestante que reivindique aumento de salários e também qualquer pessoa que esteja perto desse manifestante.

A oposição calou-se.
Só algumas palavras soltas de algum dirigente consultado numa ou outra entrevista.
Maurício Macri continua a avançar, enquanto a oposição regride, deixa andar e se entretém com engenharia eleitoral para o próximo ano, desfigurando-se ainda mais.

Com uma agressiva campanha pré-eleitoral, Maurício Macri volta a partir na frente, gerando um novo problema na vida das pessoas, enquanto as corporações mediáticas o blindam e agridem a oposição por não ter solucionado o problema da insegurança. Desta maneira, afasta as atenções dos terríveis problemas económicos, da falta de emprego, das empresas falidas e faz incidir os holofotes na “mão dura” que vem “resgatar-nos” de um problema que não tínhamos.

O fascismo, que antes se apresentava de forma tímida, passou agora a ser lei.
Triste o destino do povo argentino, que não sabe se estará vivo na hora de votar, enquanto observa como a história se repete.

Débora Mabaires, Buenos Aires; in Desacato.info