Nils Meizer, em artigo, escreveu que encontrou evidências de que Julian Assange é vítima de perseguição política e arbitrariedade judicial, bem como tortura deliberada e maus-tratos.

 

O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre tortura, tratamento cruel e desumano, Nils Melzer, disse nesta segunda-feira (01/08) que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, cuja extradição do Reino Unido está sendo solicitada pelas autoridades norte-americanas, é “perseguido por revelar segredos sórdidos de poderosos”, vítima de perseguição política e arbitrariedade judicial.

“O caso Assange é a história de um homem perseguido e maltratado por revelar os segredos sórdidos dos poderosos, incluindo crimes de guerra, tortura e corrupção”, escreveu Melzer em artigo na revista Le Monde Diplomatique, lembrando que o evento revelou os duplos padrões das democracias que querem se apresentar como exemplares em direitos humanos”.

“Enquanto investigava o caso de Julian Assange, encontrei evidências convincentes de perseguição política e arbitrariedade judicial, bem como tortura deliberada e maus-tratos”, frisou. “No entanto, os Estados responsáveis se recusaram a cooperar comigo na adoção das medidas investigativas exigidas pelo direito internacional”, acrescentou.

Ainda sobre o caso, Melzer escreveu que se trata da “história de reportagens manipuladas e manipuladoras na grande mídia com o propósito de isolar, demonizar e destruir deliberadamente um indivíduo em particular”. Ele destacou ainda que em uma democracia governada pelo “Estado de direito” todos seriam iguais perante a lei.

Assange, que é um ativista e programador de computador, de 49 anos, é acusado nos EUA de espionagem e hacking pela publicação, desde 2010, de centenas de milhares de páginas de documentos militares secretos e cabos diplomáticos sobre as atividades de Washington nas guerras no Iraque e no Afeganistão, que foram divulgados pelo vazamento do portal WikiLeaks.

Redação Opera Mundi