Num artigo longo, dois jornalistas do jornal norte-americano New York Times analisam o apoio militar da Casa Branca à Arábia Saudita e as consequências que tem na guerra que continua a acontecer no Iémen.
                                                  Foto de Alisdare Hickson/Flickr

 

Os jornalistas Declan Walsh e Eric Schmitt publicaram esta terça-feira uma extensa análise das “impressões digitais” norte-americanas na “carnificina do Iémen”.

Os dois jornalistas recordam que não só os F-15 sauditas e as suas bombas foram fabricadas pelos EUA mas também são deste país os mecânicos que reparam os aviões, os informáticos que atualizam os softwares, os peritos que treinam os pilotos e os conselheiros militares.

O custo do programa de treino das forças aéreas sauditas para executar ataques aéreos ascendeu em 2017 a 750 milhões de dólares. Somam-se-lhe 510 milhões no mesmo ano em munições de precisão.

Este programa e a presença de conselheiros militares dos EUA serviriam, alegadamente, para procurar menorizar as baixas civis da intervenção saudita. Intenção longe de se concretizar. Calcula-se que os ataques aéreos sauditas mataram desde o início do conflito mais de 4600 civis. Casamentos e autocarros escolares incluídos na lista de ataques. A Comissão de Direitos Humanos da ONU referiu estes ataques como potenciais “crimes de guerra”.

Os responsáveis militares dos EUA culpam por isso as autoridades árabes. Mas continuam com os apoios.

 

Bomba que matou 40 crianças no Iémen foi vendida pelos EUA                                                  Bomba que matou 40 crianças no Iémen foi vendida pelos EUA

 

Aliás, Trump continua a política intervencionista iniciada por Obama. Isto apesar do assunto não ser pacífico na política norte-americana. Este mês o Senado votou o fim deste programa de assistência militar mas a Câmara dos Representantes recusou a proposta.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos entraram na guerra em 2015 procurando derrotar os rebeldes Houthi, aliados do Irão. Entretanto 60000 iemenitas morreram e o país atravessa enfrenta uma fome devastadora. E novembro foi o mês mais violento com mais de 3 mil baixas, incluindo 80 civis mortos em ataques aéreos.

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