Jornalistas Livres teve a sua conta da rede Instagram censurada, após postagens que denunciam racismo, nazismo, feminicídio e as recorrentes atitudes fascistas do governo Bolsonaro. Leia abaixo a carta que está enviando para o Instagram.
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(Reprodução)Créditos da foto: (Reprodução)

Prezados Senhores,

O Instagram desativou indevidamente a conta dos Jornalistas Livres. Uma conta que tem até a data de hoje – 11 de outubro de 2021 – 619 mil seguidores, destinada a noticiar questões relativas aos direitos humanos, aos direitos ambientais e à defesa dos povos originários. Esta é, portanto, uma conta destinada a falar sobre a resistência do povo a um governo com clara inspiração nazista.

Só para lembrar alguns momentos de exposição desse totalitarismo escabroso do governo brasileiro:

Este é o governo de um líder (“Mito”) que já homenageou torturadores como Carlos Alberto Brilhante Ustra, homem de triste memória, a quem coube eliminar inimigos do governo ditatorial que dominou o Brasil entre 1964 e 1985.

Este é o governo que protegeu e manteve relações conspícuas com a empresa de saúde Prevent Senior, que fazia (faz?) experiências com seres humanos, como aconteceu com o nazismo (veja aqui).

Este é um governo que usa um lema claramente nazista: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”, que ressoa o “Deutschland über alles” que, em português, significa “Alemanha acima de tudo”.

Este é o governo que entronizou na Secretaria da Cultura um monstro que teve a coragem de emular o ministro de propaganda do III Reich entre 1933 e 1945, Joseph Goebbels, conforme reportagem publicada nos Jornalistas Livres (veja aqui).

Nós, Jornalistas Livres, já vínhamos sofrendo uma série de ataques de trolls, cada vez que denunciávamos o horror que a retórica bolsonarista contém, combinada ao passado mais tenebroso do colonialismo e da escravidão.

Nós, Jornalistas Livres, somos um veículo de comunicação formado por jornalistas experientes, que já trabalharam em jornais como “Folha de S.Paulo”, “Veja”, “Globo”, “TV Globo”, “UOL”, “O Estado de S.Paulo”, “Brasil de Fato”, “Rede TVT”, entre tantos outros veículos. Conhecemos muito bem as regras éticas que regem nossa profissão. É por isso que não compreendemos a censura que recebemos do Instagram.

Nós recebemos hoje (11 de out) o aviso de que nossa conta havia sido “desativada”. Nossas únicas três publicações do dia foram: 1) dia do nascimento do sambista brasileiro e mangueirense Cartola; 2) card noticiando que a Força Aérea Brasileira (FAB) usará um termo de “recusa de vacinação” para militares que não queiram se imunizar; 3) um vídeo mostrando uma mulher negra revoltada porque tinha sido revistada, tornando-se alvo de humilhação pública em um estabelecimento das Lojas Americanas, em Salvador, na Bahia. Este mesmo vídeo foi publicado na página da UnegroBahia (Unegro Bahia), entidade antirracista da Bahia, respeitadíssima como porta-voz dos negros brasileiros, que segue no ar (veja aqui).

O mesmo vídeo foi publicado nas seguintes redes: BNewsRevista FórumDiário do Centro do MundoG7 BahiaYoutube Polêmicas e Polarização e Aratu On.

Já vimos recebendo várias advertências do Instagram, conforme mostram as telas a seguir:

Uma dessas publicações removidas é a que mostra uma mulher do Espírito Santo sendo espancada e socada no rosto por policiais militares do Estado. A cena foi amplamente divulgada pelas redes, o que obrigou o próprio governador do Estado a uma manifestação que, aliás, consta no post. O instagram, inclusive, se prontificou a colocar um aviso de gatilho na publicação de outras contas, mas o mesmo vídeo, nos Jornalistas Livres, foi deletado pela plataforma.

Interessante é notar também que a mesma publicação feita no Instagram (e que foi censurada) continua publicada no Facebook, conforme se constata neste link.

Este mesmo vídeo foi publicado no Instagram de Midia Ninja, de Guilherme Boulos e de vários deputados, sem que nenhum deles tenha sofrido qualquer sanção visível. O vídeo não foi retirado dos canais citados, mas foi suprimido do nosso canal.

Outra de nossas publicações censuradas mostra um dirigente do Movimento Brasil Livre (MBL), que apoiou a eleição do presidente Jair Bolsonaro, incitando o estupro de uma mulher. Publicamos como uma denúncia, como fica evidente para qualquer pessoa honesta. Tanto é assim que a mesma publicação segue no ar dentro do Facebook, conforme se constata neste link.

A charge que foi removida, a pretexto de estar propagando “violência e incitação” é esta, que entretanto permanece publicada na página do nosso colaborador @gladson.targa no Instagram:

Por fim, outra de nossas publicações removidas é a que mostra um protesto (à distância) de uma mulher contra os feminicídios em que o Brasil é um triste campeão mundial. O Facebook, que pertence ao mesmo proprietário do Instagram, mantém a publicação no ar, como é possível ver neste link.

Nosso canal, os Jornalistas Livres, é uma das mídias que mais dá voz aos esquecidos, injustiçados e oprimidos do Brasil.

Censurá-lo é o mesmo que censurar todas as heroicas publicações que denunciaram o assassinato criminoso (sim, a redundância é necessária neste momento) de George Floyd. É o mesmo que censurar a publicação das cenas terríveis que mostraram o genocídio judeu durante a Segunda Geurra Mundial. É o mesmo que calar sobre um corpo que sangra, consentindo na sua morte.

Por tudo isso, recorremos da punição que nos foi imposta e pedimos a sua reconsideração, em nome das liberdades de informar e de ser informado, alicerces da Democracia.

Aproveitamos para reforçar nosso pedido de verificação da conta, feito inúmeras vezes, em vista dos bons serviços que temos prestado à “visibilidade dos invisíveis”. Estamos vulneráveis aos recorrentes ataques nazistas justamente porque não somos verificados.

Jornalistas Livres