A ativista e atriz de “Harry Potter” foi atacada por políticos israelitas, que não percebem o seu recente ativismo.

                                  A atriz e ativista ainda não se pronunciou

É uma acusação grave, mas também recorrente, sempre que se verificam manifestações de solidariedade com o povo palestiniano. Desta vez, o alvo foi Emma Watson, a atriz de 31 anos que é também uma das mais vocais ativistas da indústria cinematográfica.

A polémica começou com uma publicação no Instagram, feita na segunda-feira, 2 de janeiro. Tratou-se de uma republicação de uma imagem partilhada pela Bad Activist Collective, que sobrepõe a frase “A Solidariedade é um Verbo” numa fotografia de uma manifestação pró-Palestina.

A publicação vinha acompanhada de uma citação da académica britânica Sara Ahmed. “A solidariedade não parte do princípio de que as nossas lutas são as mesmas lutas ou de que a dor que sentimos é a mesma dor, ou que a nossa esperança se resume ao mesmo futuro”, escreve. “A solidariedade envolve compromisso, trabalho, bem como a capacidade de reconhecer que mesmo que não tenhamos os mesmos sentimentos ou as mesmas vidas ou os mesmos corpos, vivemos em terrenos comuns.”

O gesto não agradou a Danny Danon, antigo embaixador israelita nas Nações Unidas, que rapidamente usou o Twitter para comentar a publicação. “10 pontos para Gryffindor por antissemitismo”, escreveu, ao mesmo tempo que tenta associar o apelo à solidariedade a um ato de discriminação e hostilidade perante o povo judeu.

Rapidamente recebeu o apoio do atual embaixador israelita nas Nações Unidas. Gilad Erdan juntou-se ao coro de críticos. “A ficção pode funcionar no mundo de Harry Potter, mas não funciona no mundo real. Se funcionasse, a magia poderia eliminar o mal do Hamas (que oprime mulheres e procura a aniquilação de Israel) e da Autoridade Palestiniana (que apoia o terror)”, escreveu.

Coube à parlamentar britânica Sayeeda Warsi constatar publicamente o óbvio: “Mostrar solidariedade com os palestinianos não é antissemitismo”. “São comentários chocantes por parte do antigo embaixador israelita na ONU.”

 

Também o líder da missão palestiniana no Reino Unido decidiu manifestar-se em defesa da atriz. “Solidariedade para com a luta do povo palestiniano pela liberdade e justiça é um dever humano e moral de todos os que amam a liberdade. Obrigado Emma Watson.”

Esta não é, de todo, a primeira incursão de Watson no ativismo. Já discursou por várias vezes nas comissões da ONU para a igualdade de género e empresta regularmente a sua plataforma no Instagram a coletivos de ativistas, para que possam passar a sua mensagem.

NIT