O apoio financeiro da embaixada israelita ao festival de artes levou ao cancelamento de 30 eventos. O uso da arte para branquear violações de direitos humanos não é aceitável, dizem os artistas.
Alguns dos artistas que aderiram ao boicote do Festival de Sydney.

 

 

“Dado que o Festival de Sydney procurou e aceitou financiamento da embaixada israelita, a peça ‘Seven methods of killing Kylie Jenner’ não tem outra escolha senão retirar-se e boicotar o festival. Não seremos coagidos a ser cúmplices”, declarou em comunicado a produtora Green Door, acusando a organização de ter falhado à “sua anunciada responsabilidade de ‘fornecer um espaço culturalmente seguro para artistas, funcionários e público’”.

Esta foi uma das cerca de 30 iniciativas canceladas por causa do financiamento israelita ao festival, no valor de 14.300 dólares através de um espetáculo do coreógrafo Ohad Naharin e de uma companhia de dança de Telavive. Segundo a Variety, o donativo deu também direito a Israel surgir no site do festival com o estatuto de “star partner”.

“Branquear com a arte as violações dos direitos humanos não é aceitável”, declarou à ABC um porta-voz do movimento de Justiça para a Palestina em Sydney.

A Campanha Palestiniana para o Boicote Cultural e Académico de Israel, que integra o movimento internacional Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) também veio saudar a grande adesão a esta iniciativa para que o festival “abandone a sua parceria com o apartheid de Israel”.

Em comunicado, a direção do festival de Sydney diz estar consciente dos protestos e apelos ao boicote, mas que esta edição irá prosseguir sem a presença dos artistas que decidiram retirar os seus eventos que compunham um quinto do programa. No entanto, o festival compromete-se “a rever as suas práticas em relação ao financiamento por parte de governos estrangeiros e entidades associadas” em futuras edições.

esquerda.net