O Presidente da República francesa, Emmanuel Macron, reconhece a tortura e assassinato do matemático e comunista Maurice Audin pelo exército francês, durante a batalha de Argel, 61 anos depois.
Maurice Audin (1932-1957) foi torturado e assassinado pelo exército francês
                                 Maurice Audin (1932-1957) foi torturado e assassinado pelo exército francês

 

Finalmente, 61 anos 3 meses e dois dias depois, o Estado francês reconhece que o exército da França matou Maurice Audin, durante a guerra colonialista da Argélia. Em 1957, em plena batalha de Argel, o exército francês torturou e assassinou o matemático comunista e anti-colonialista.

Emmanuel Macron visitará nesta quinta-feira, 13 de setembro de 2018, Josette Audin, viúva do matemático, atualmente com 87 anos, e publicará uma declaração a reconhecer o crime de Estado contra Maurice Audin. Josette Audin bateu-se sempre e firmemente, ao longo dos mais de 61 anos, para que fosse conhecida a verdade e reconhecido o crime.

Maurice e Josette Audin - Foto wikimedia
Maurice e Josette Audin – Foto wikimedia

Na sua declaração, o Presidente da República de França afirma que o assassinato de Maurice Audin “foi possível por um sistema legalmente instituído: o sistema ‘prisão-detenção’, posto em prática pelos poderes especiais que foram confiados por via legal às forças armadas naquele período”.

Segundo L’ Humanité, é a primeira vez que a República francesa reconhece que foram cometidas torturas “com o aval das autroridades política da época, entre as quais François Mittterrand que desempenhou um papel determinante enquanto ministro da Justiça de Guy Mollet, até 12 de junho de 1957”.

Fica ainda por esclarecer como foi morto Maurice Audin e quem foram os assassinos. O matemático desapareceu em Argel a 11 de junho de 1957, sem deixar rasto.

Segundo a TSF, Pierre Mansat, presidente da Associação Maurice Audin, destaca que esta é a primeira vez que o Estado francês reconhece um crime de guerra durante a batalha de Argel.

 

 

“O Presidente da República reconhece, nesta declaração, a responsabilidade do Estado quanto à tortura e assassínio de Maurice Audin, sequestrado por militares franceses, torturado e executado. Reconhece a responsabilidade do Estado e o crime de Estado. Denuncia o sistema político que permitiu, valorizou e aceitou a tortura como instrumento de terror para com defensores da independência da Argélia. Anuncia a abertura, sem restrições, dos arquivos e lança um apelo aos testemunhos para todos os que sabem de situações como o caso de Maurice Audin, mas também de milhares de argelinos que foram sequestrados, torturados, assassinados e que desapareceram”, afirmou Pierre Mansat.

Maurice Audin (1932-1957) era assistente de matemática na Universidade de Argel, quando foi assassinado pelo exército francês. Era membro do Partido Comunista da Argélia e ativista anticolonial. (ver wikipedia(link is external) em francês)

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