Em 2021 já morreram 896 pessoas a tentar atravessar o Mediterrâneo e 250 a tentar chegar às Canárias. A Organização Internacional para as Migrações apela a que os Estados tomem “medidas urgentes” para salvar vidas.
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"Não vos esqueceremos". Foto de txmx 2/Flickr.
                                                     “Não vos esqueceremos”. Foto de txmx 2/Flickr.

 

O relatório da Organização Internacional para as Migrações, lançado na passada quarta-feira, mostra que, desde janeiro, morreram já, pelo menos, 896 pessoas na rota migratória do Mediterrâneo. Este número mais do que duplica o que tinha acontecido em período idêntico do ano passado.

A maior parte das mortes, 741, ocorreu no Mediterrâneo central, considerado a rota migratória mais perigosa do mundo. No Mediterrâneo oriental pereceram 149 pessoas. E seis morreram tentando chegar à Grécia através da Turquia. Para além disto, registam-se também, nos primeiros seis meses deste ano, 250 mortes na rota África Ocidental/Atlântica, cujo destino são as ilhas Canárias.

O documento adverte que estas contas dizem respeito apenas a mortes confirmadas e que, por isso, são feitas por baixo. Os números são “muito mais elevados” porque nestas contas não entram as “centenas de casos de naufrágios invisíveis” relatados pelas organizações não governamentais de socorro e pelas que contactam com as famílias. Isto apesar destas se continuarem “a deparar com obstáculos importantes, estando a maior parte dos seus barcos bloqueados em portos europeus devido às apreensões administrativas e procedimentos penais em curso contra as tripulações”, pode ler-se no relatório.

António Vitorino, que dirige a OIM, apela aos Estados para que tomem “medidas urgentes e proativas de forma a reduzir a perda de vidas humanas” e que “respeitem as suas obrigações no âmbito do direito internacional”. Para ele, é preciso “um aumento dos esforços de busca e salvamento, o desenvolvimento de mecanismos de desembarque previsíveis e a garantia de um acesso a vias de migração seguras e legais”.

Para além do aumento das vítimas mortais, o relatório dá ainda conta de um aumento, pelo segundo ano consecutivo, das operações marítimas levadas a cabo pelos Estados do norte de África ao longo da rota do Mediterrâneo central. Aí, foram intercetadas 31.500 pessoas no primeiro semestre deste ano, em comparação com as 23.117 do ano passado. Por exemplo, as operações ao longo da costa tunisina aumentaram 90% e mais de 15.300 pessoas foram reenviadas para a Líbia, três vezes mais do que em 2020. A organização considera esta situação como “preocupante, uma vez que os migrantes que são reenviados para a Líbia são submetidos a detenções arbitrárias, extorsão, desaparecimentos e atos de tortura”.

Esquerda.net