Na última quinta-feira, 19 de novembro, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra, um segurança da empresa Carrefour e um policial temporário espancaram João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, até a morte. Em uma sociedade racista e escravocrata, onde instituições praticam abertamente violência motivada por preconceito racial e social, a Carrefour, pela sétima vez, é palco de atrocidades.

 

João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, espancado até a morte, por um segurança e um policial temporário, dentro de uma loja Carrefour, em Porto Alegre (Reprodução/Redes Sociais)

Créditos da foto: João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, espancado até a morte, por um segurança e um policial temporário, dentro de uma loja Carrefour, em Porto Alegre (Reprodução/Redes Sociais)

A Carrefour se configura como um lugar hostil para negros ou qualquer pessoa que pertença a minorias sociais. Seu histórico de agressões é diversificado, não se limitando apenas a questões raciais: em 2017, funcionários que solicitaram remuneração por trabalhar em feriados foram desligados da empresa, em uma evidente represália. Contudo, as agressões, retaliações e todo tipo de ação violenta praticada por essa empresa se arrastam há mais de 10 anos: em 2009, seguranças de uma unidade do Carrefour em Osasco agrediram Januário Alves de Santana, à época com 39 anos. Ele é negro e foi acusado de roubar o próprio carro.

No país em que negros são maioria nas prisões, ganham salários mais baixos que brancos, exercendo a mesma função e possuem menor escolaridade que brancos, podemos afirmar que a Carrefour possui uma verdadeira maquinaria, com cadafalsos e pelourinhos, onde negros são tanto enforcados – recebem mata-leões até perder a respiração – quanto surrados até a morte: sacrifícios para alimentar com sangue de inocentes um deus cruel chamado racismo.

A quem compreende o racismo como uma patologia social, resta a união para fazer frente a um projeto de extermínio dos negros, em pleno vigor no Brasil. Juntos, conseguiremos realizar as palavras de Ernesto Che Guevara (1928-1967): “Sejamos o pesadelo dos que querem roubar nossos sonhos”.

Armando Januário dos Santos é Mestrando em Psicologia pela UFBA. Psicólogo graduado pela UNEB. Pós-graduado em Psicanálise; em Gênero e Sexualidade; e em Literatura. Graduado em Letras com Inglês. Autor do livro Por que a norma? Identidades Trans, Política e Psicanálise. e-mail: armandopsicologia@yahoo.com.br | Instagram: @januario.psicologo

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